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Saturday, June 26, 2010


Há exatamente um ano morria Michael Joseph Jackson, ou apenas Michael Jackson, como preferirem, aos 50 anos de idade. Fiquei pensando muito nesta data, primeiro por perceber como o tempo passa rápido... e depois por ver que, talvez, o cantor tenha sido mais adorado em sua morte do que nos últimos anos de vida.
Porém, nessas breves linhas, quero refletir sobre uma polêmica que, 365 dias depois da passagem do artista “dessa para melhor” (tenho lá minhas dúvidas se foi para melhor mesmo), ainda alimenta os blogs de vários ex-Tj’s e a mente de testemunhas ativas:
Michael Jackson era ou não Testemunha de Jeová?
A coisa é mais complicada do que parece. Porém a resposta é mais simples do que imaginam.
Primeiramente, temos que lembrar que a Organização das Testemunhas de Jeová, cujo braço legal é a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, nos Estados Unidos, e a Associação das Testemunhas Cristãs de Jeová (ATCJ), no Brasil, caracteriza-se pela inconstância doutrinal, que eu chamo de “fluidez teocrática”: assim como a água toma a forma do objeto que a contém, da mesma maneira os ensinos das testemunhas se adaptam aos tempos e às conveniências sociais, culturais e, principalmente, econômicas. Em outro artigo prometo explicar essa minha teoria melhor, mas desde já quero dizer que, pela contagem de nosso irmão Fernando Galli, apologista de primeira (visitem: http://iacs33.blogspot.com), já mudaram de ensino 315 vezes até o começo de 2010.
Pois bem, até os fins da década de 1980, ser publicador (pessoa que vai à pregação, ao serviço de campo) era a coisa mais fácil que havia. Bastava estar estudando a Bíblia há algumas semanas, se arrumar bonitinho com sua melhor roupa domingueira, colocar uma bolsa ou pasta com a Bíblia dentro e alguns tratados (panfletos) ou revistas A Sentinela para distribuir, e aparecer na reunião de saída de serviço de campo. Aí você seria escalado para sair com alguém de sua família, se fossem TJ’s, ou com seu instrutor (pessoa que realiza o estudo da pessoa) ou mesmo um ancião (líder). Você seria contado como publicador não batizado quando entregasse à congregação o seu primeiro relatório de campo, ou seja, a compilação mensal de seu trabalho na pregação, em que se deve especificar a quantidade de horas gastas, os livros e revistas distribuídos e estudos realizados. A partir daí, seria aberto uma ficha em seu nome, que ficaria nos arquivos da congregação, com a sua “ficha corrida” de serviço, e você seria contado como membro efetivo. Para todos os efeitos, sua atividade seria enviada para “Betel” (o escritório nacional, em São Paulo), e nas estatísticas anuais você seria contado normalmente como uma das milhões de testemunhas ativas no mundo.
O fato de a pessoa sair ao serviço de campo, falar com as pessoas sobre Jeová de maneira oficial, possuindo o cartão de publicador, a identificavam, e até hoje é assim, como uma Testemunha de Jeová. A única coisa que mudou a partir do início dos anos 90 foi que, a partir de então, para ser contado como publicador não batizado, seria necessária uma reunião com alguns anciãos para formalizar sua entrada no rol dos pregadores. Lembro-me que, em 1994, quando me tornei publicador não batizado, a norma já havia mudado, e os anciãos foram em minha casa com meu instrutor fazer uma pequena sabatina para saber se eu me habilitava para ir ao serviço de campo. No final da palestra, eles enfatizaram isto: apesar de eu não ser batizado ainda, mesmo assim, aos olhos da comunidade, eu seria uma Testemunha de Jeová.
Que dizer então de Michael Jackson? Ele pregava com sua família lá na década de 70, antes de os procedimentos de aceitação como publicador mudarem. Por isso, fato incontestável é que ele saía ao serviço de campo com a mãe e os irmãos. Quem o via na rua sabia que eram TJ’s. Ele foi contado como publicador não batizado, com certeza, fato que ele mesmo admitiu em algumas entrevistas. Por exemplo, certa vez escreveu:
“Domingo era meu dia de 'pioneiro', o termo usado para o trabalho missionário que as Testemunhas de Jeová fazem. Nós passávamos o dia nos subúrbios da Carolina do Sul, indo de porta em porta ou dando voltas no shopping, distribuindo nossas revistas A Sentinela. Eu continuei meu trabalho por anos e anos após o início da minha carreira”.
Tomando-se isso como evidência, aos olhos da comunidade, ele era uma Testemunha de Jeová, afinal, não dava testemunho de suas crenças?
Porém, vale lembrar que, internamente, só são considerados Testemunhas de Jeová os crentes batizados. Conforme o livro “Conhecimento” cap. 18, p. 178, par. 17: “é importante lembrar-se de que o batismo não é o fim do seu progresso espiritual. Ele marca o começo de um serviço vitalício a Deus como ministro ordenado e Testemunha de Jeová (grifo meu). Assim, será que MJ era batizado?
Honestamente, não sabemos. Não há nada explícito sobre o assunto. A Sociedade Torre de Vigia não se pronuncia, e nem mesmo a família do cantor. Porém, temos evidências que, ao meu ver, ajudam a dizer que sim.
Em uma carta circular às Comissões de Congressos de Distrito dos Estados Unidos (disponível em: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi3ElM1TQ0nMWE16lnDzDb93piVQGpL3neYy6YbBUv7Ayq1lCBuQ-_1PTIeXPb-c0EWJHrWsnRLZHCJtILcfec0qw9f8c-dwwMmSIAD_ldw97onnz973DhZ1IR1ZOOyoPOy0-JzT9inwms/s1600-h/michaeljackson.jpg), datada de 08 de junho de 1987, em inglês, a Sociedade Torre de Vigia falava aos anciãos responsáveis que se calassem caso fossem argüidos sobre uma notícia que estava naquele tempo sendo muito veiculada, na qual MJ dizia não mais fazer parte das Testemunhas de Jeová. Uma tradução livre de um trecho da carta diz:
Tem havido uma certa publicidade recentemente a respeito de Michael Jackson. A essência dessas notícias tem a ver com sua própria dissociação da organização das Testemunhas de Jeová. Alguns telefonemas foram também recebidos sobre uma carta da Sociedade, cópias que aparentemente foram disponibilizadas para a mídia de notícias, assim como outras, afirmando que ele não mais se considera uma Testemunha de Jeová e que a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados não mais considera Michael Jackson uma Testemunha de Jeová (grifos meus).
Em outra parte:
Na eventualidade de representantes da mídia de notícias ou outros abordarem seu departamento de notícias do congresso e questionarem sobre Michael Jackson e sua posição, seria melhor para os irmãos responsáveis não comentarem. Deveriam apenas dizer que eles ouviram ou sabem sobre as novas informações e não têm mais nenhum comentário (grifos meus).
As notícias da época afirmavam que MJ havia se dissociado da organização. Mas o que é a dissociação? A Sentinela de 1º de abril de 1985, p. 32 diz:
[...] vez por outra uma Testemunha decide de sua livre vontade deixar o caminho da verdade. Talvez até mesmo torne conhecida sua decisão depois de a comissão começar a investigar sua transgressão. A pessoa talvez os informe por escrito ou declare perante testemunhas que deseja dissociar-se da congregação e não mais ser reconhecida como Testemunha. Neste caso, não mais será necessário que os anciãos continuem a investigação. Contudo, os anciãos farão então um breve anúncio da dissociação, a fim de que a congregação saiba que tal pessoa ‘saiu do nosso meio’. (1 João 2:19) A congregação aderirá então à injunção inspirada de ‘não receber a tal nos seus lares, nem o cumprimentar, para que não se torne partícipe das suas obras iníquas’. — 2 João 10, 11.
Agora observem: só se dissocia quem é Testemunha de Jeová. Para ser Testemunha de Jeová, contada e considerada como tal segundo a norma interna, deve-se ser batizado. Logo, se MJ se dissociou, ele era contado como TJ, e não apenas como publicador não batizado.
Além disso, na carta citada, a posição da Sociedade não é de negar nada. Os anciãos deviam apenas dizer que já estavam informados das notícias e que não tinham nenhum comentário para a imprensa.
Eu creio que, em muitas vezes, o silêncio é uma grande resposta.
Portanto, a evidência lógica era de que Michael Jackson, pelo menos até 1987, era uma Testemunha de Jeová batizada, sim, ia ao serviço de campo, relatava direitinho todos os meses (ou não, pois podia estar “inativo”), e mesmo depois de se dissociar ainda manteve muitas das crenças na mente, entre elas a não comemoração do Natal, festa essa que só realizou muitos anos depois, conforme mostrado no programa Fantástico, tendo ido para o quarto chorar assim que terminou porque se sentia culpado.
Portanto, esta polêmica, que pode facilmente ser elucidada, conforme vimos aqui, é uma pedra no sapato de muitas TJ’s, que não admitem que MJ tivesse sido batizado e, portanto, um legítimo membro da seita. Dizem que ele apenas ia ao serviço de campo com a mãe e os irmãos. Não sei o porque dessa querela toda, mas lamento desiludi-los, pois Michael Jackson era Testemunha de Jeová, devidamente batizado, pois dissociou-se, e agora, no Hades há um ano, deve estar refletindo bem em suas atitudes e em todos os erros que cometeu em sua vida e em ter perdido a oportunidade de reconhecer a Cristo como Único Senhor e Salvador de sua alma. E que reflexão demorada será... por toda a eternidade!
E que a Graça de Deus esteja com todos nós!
Abraços,

Cleber Tourinho
João Pessoa, 25 de junho de 2010

Posted on Saturday, June 26, 2010 by Maurilo e Vivian

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Abaixo um texto de nosso querido amigo e irmão em Cristo, Cleber Tourinho.

Caro Leitor,

Infelizmente, faltou à Associação Torre de Vigia (ATV) esclarecer às pessoas que o instituto da desassociação não vem de Jeová, mas do Corpo Governante. Se você conjugar todos os paralelos bíblicos em relação ao assunto verá que Jeová está sempre de braços abertos para acolher IMEDIATAMENTE um pecador genuinamente arrependido. Não há nas Escrituras qualquer paralelo que mostre que Ele deu seis meses ou um ano ou vários anos de prova, com a boquinha calada, sentado no banco, sendo ignorada pela família e pelos “amigos”, até que a pessoa fosse JULGADA por um corpo de anciãos como digna de fazer parte de seu povo novamente.
Ao contrário, uma leitura básica da Bíblia te mostrará que PRIMEIRO Jeová acolhe o pecador DEPOIS ele é ajudado a abandonar seu estado lastimável. Basta a pessoa arrependida se voltar para Deus. Sem provas. Sem chibatadas sociais. Sem vergonha ou humilhação. É tão simples!
Vejamos um exemplo: uma jovem tem relações sexuais com seu namorado, contudo, não vê nada demais nisso. Os anciãos a chamam em uma comissão judicativa e a desassociam. Logo após ela se arrepende, pois vê que estava errada. O que fazer?
Bom, Jeová, por meio de Jesus, proveu a resposta. Veja sua reação na parábola do filho pródigo:
“Enquanto [o filho] ainda estava longe, seu pai o avistou e teve pena, e correu e lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou ternamente” (Lucas 15:20).
Mesmo com esse paralelo claríssimo, os anciãos dizem que a pessoa deve passar um tempo no banco, sendo ignorado, apontado como pecador, evitado até pela família... que deve se casar, ou então dissolver esse namoro... que não poderá comentar na reunião, ir no ônibus da congregação para a Assembleia de Circuito, não poderá pegar uma carona no carro de um irmão, muito menos que se deve orar por essa pessoa. Prá não falar que durante esse tempo, a pessoa que “se lixe”, se ela precisar de uma ajuda qualquer, seja em relação a um trabalho, dificuldade na família, doença, emprego, e tantas outras que apenas temos em associação íntima com alguém ou em uma comunidade unida, que ela fique por si só, dê seu jeito... foi ela quem escolheu o caminho da desassociação, não foi? Que amor é esse, hein? Que não pode acolher uma pessoa que está querendo voltar ao seu meio? Que não pode dar um abraço a uma pessoa que precisa? Que não pode perguntar nem mesmo “como vai, como foi seu fim de semana”? Isso é disciplina? Lamento, mas se você é um bom leitor da Bíblia, verá que isso é heresia...
Quanto aos “fundamentos bíblicos” para tal ação da ATV, são todos fraquíssimos e não se sustentam ante o peso da evidência. A Associação usa o texto de 2 João 10, 11 como base de seu tratamento em relação aos desassociados e dissociados. Contudo, empregam tal passagem TOTALMENTE FORA DE SEU CONTEXTO ORIGINAL. Convido-o a ler o texto integralmente, a carta inteira de 2 João. No versículo 7, o apóstolo diz: “Pois, muitos enganadores saíram pelo mundo afora, pessoas que não confessam Jesus Cristo vindo na carne. Este é o enganador e o anticristo".
Depois, do versículo 8 ao 11, o apóstolo dá um conselho aos leitores em relação à situação de perigo espiritual quanto a esses tipos de pessoas que rejeitam a Cristo e pregam o engano, dizendo que Cristo não veio na carne. Contra esse tipo de pessoa é que os cristãos devem se guardar, “nem o recebendo em seus lares, nem os cumprimentando”, pessoas que “se adiantaram”, “não permaneceram no ensino de Cristo” e agora defendem outro ensino diabólico. Ou seja, anticristos ativos e atuantes. Não se fala em lugar algum de crentes que pecaram. Nem em desassociação, palavra que nem na Bíblia está.
Veja a situação delicada que o Corpo Governante põe sobre seus ombros: julgam mais do que Jeová. Aquele que o verdadeiro Deus vê como pessoa aflita e perdida, que precisa de consolo e cuidado, como uma ovelha entre as cem, machucada e desesperada, os CG pede para que vejamos como ANTICRISTOS EMPEDERNIDOS!
Agora, caro leitor, em momento nenhum dizemos ser contra a exclusão ou afastamento de um membro que seja um pecador empedernido do meio da congregação, ou de uma igreja. Isso aí é coisa que se faz até no mundo, nas esferas seculares. Caso você faça parte de uma associação qualquer, um conselho, um clube, uma escola, etc., ou mesmo no trabalho normal, há normas internas que devem ser respeitadas sob pena de (a) repreensão verbal ou escrita, (b) afastamento temporário ou (c) desligamento total.
Isso é diferente das organizações religiosas? Não, de forma alguma.
Ao contrário do que pregam as Testemunhas de Jeová em várias publicações, existem expulsões e desligamentos nas igrejas evangélicas, mas sempre depois de um longo processo de ajuda espiritual à pessoa, antes de serem tomadas as providências cabíveis.
Quando você aceita se tornar membro de uma igreja qualquer, ou de associações filosóficas ou políticas, deve ter em mente suas normas, seus estatutos, entre eles os que podem demandar sua exclusão como membro. Nesse caso, o texto citado pelas Testemunhas, 1 Coríntios 5:9-13, está devidamente aplicado. Paulo escrevia aos crentes em Corinto que não faziam nada para que aquele homem imoral se consertasse, logo, havia negligência espiritual por parte deles. Contudo, lendo com atenção os versículos circundantes (coisa que raramente as Testemunhas fazem), vemos que a grande preocupação era com a ação da própria congregação ante o pecado, não necessariamente com o pecador em si. Não se esqueça de que esta carta que Paulo escreveu tinha objetivos claros: exortar toda a congregação coríntia a um reavivamento espiritual, o que é claramente visível na quantidade enorme de problemas que o apóstolo discute ao longo de sua epístola.
Prova de que está errada a metodologia da desassociação conforme o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová prega pode ser vista no modo como a aplicação deste texto é feita na segunda carta de Paulo aos Coríntios. Conforme uma publicação da própria ATV, o Estudo Perspicaz, volume l, p. 563 e 564, “Paulo escreveu esta primeira carta à congregação cristã em Corinto, por volta de 55 EC [...] Paulo escreveu a sua segunda carta aos coríntios provavelmente durante o fim do verão ou começo do outono setentrionais de 55 EC”. Assim, no intervalo de meses, não de anos, nem de décadas, mais em poucos meses, de acordo com o arrependimento daquele “homem iníquo”, “Paulo respondeu na sua segunda carta elogiando-os por sua aceitação favorável e aplicação do conselho, exortando-os a ‘perdoar bondosamente e a consolar’ o homem arrependido, ao qual evidentemente haviam expulsado da congregação” (Perspicaz, v. 1, p. 564).
Quanto ao texto de 2 Tessalonicenses 3:13-15, eu aconselho a seguir o mesmo sistema de leitura exegética, ou seja, a ler o contexto inteiro: “Mas, se alguém não for obediente à nossa palavra por intermédio desta carta, tomai nota de tal, parai de associar-vos com ele, para que fique envergonhado. Contudo, não o considereis como inimigo, mas continuai a admoestá-lo como irmão”.
Nesse caso, não se trata de desassociação, de expulsão, mas dos casos em que um membro da congregação age de forma desobediente. É quase uma “repreensão” como as Testemunhas usam o termo, caso este em que a pessoa não será mais bem vinda a nenhuma reunião social, isto é, a eventos associativos. Se levássemos ao pé da letra, a pessoa realmente deveria ficar “envergonhada”, desde que fosse exposto a partir da tribuna, para todos saberem, que ele ou ela estaria “sob nota”. Mas nem isso as TJ’s fazem direito, pois o processo, na maioria das vezes (ou seja, salvo raras exceções) corre todo em segredo pelo corpo de anciãos...

O que Pascoal, Sebastião, eu e outros questionamos não é a prática da exclusão dos membros em si mesma, que é legítima em qualquer tipo de associação, como disse anteriormente, mas A FORMA COMO ESTE ESTATUTO ESTÁ REDIGIDO E É APLICADO. Trata-se de um flagrante desrespeito aos direitos humanos e uma ofensa a Deus.
Entre os abusos que são feitos está a aplicação hedionda e mal direcionada do que Davi disse no Salmos 139:21-22. A Sentinela 15 de março de 1996, p. 16 par. 6, no artigo “Como passar na prova da lealdade”, coloca os desassociados no mesmo pacote dos piores inimigos de Jeová, de pessoas do mundo, desviados e incorrigíveis, ao dizer:
“Queremos ter a lealdade que o Rei Davi evidenciou ao dizer: “Acaso não odeio os que te odeiam intensamente, ó Jeová, e não tenho aversão aos que se revoltam contra ti? Odeio-os com ódio consumado. Tornaram-se para mim verdadeiros inimigos.” (Salmo 139:21, 22) Não queremos confraternizar com pecadores deliberados, porque não temos nada em comum com eles. Não deve a lealdade a Deus impedir que mantenhamos contatos sociais com tais inimigos de Jeová, quer em pessoa, quer por meio da televisão?”(grifo meu)
Detestável. Ao invés de buscar fazer como o Pastor em Lucas, capítulo 15:1-7, que deixa as 99 ovelhas para correr em busca da perdida, o Corpo Governante manda que pessoas, seres humanos, muitas vezes sem forças nem para retornar para os braços de Deus, para a comunhão com Ele, sejam ignoradas e tratadas com ódio! Imagine! Tudo isso em oposição ao que Deus diz, que devemos ter amor ao perdido, acolhê-lo, aconchegá-lo, para ver se ele retorna de seus maus caminhos (Isa. 55:6, 7; Eze. 33:11; Mal. 3:7).
Conheço casos de pessoas que estão há anos fora das Testemunhas de Jeová e querem até retornar, mas se sentem fracos, sem energia para isso. Algumas me contaram que gostariam que houvesse um programa oficial de ajuda a essas pessoas, mas, ao contrário, as congregações as ignoram. Se ao menos tivessem apoio de suas famílias...! Mas nem isso! Membros das famílias imediatas, que moram na mesma casa, devem apenas conversar o mínimo com essas pessoas, e os que não moram com eles, nem isso! Como uma pessoa se sente nessa situação? Não conheço pessoalmente, mas já li a respeito de casos de depressão, síndrome do pânico e até alguns suicídios de pessoas que não conseguiam mais retornar depois de desassociadas e desistiram de tudo.
De fato, as implicações da prática nefasta da desassociação, através da franca distorção de textos bíblicos e do argumento humano tem feito com que pessoas fiquem aprisionadas a um sistema opressor, sem poderem sair dele. Há casos de TJ’s ativas que não creem mais na Torre de Vigia mas não saem da organização temendo o que pode vir a lhe acontecer: ostracismo exacerbado, perda de laços familiares e de amizades de longos anos, exclusão de uma história de vida inteira, além dos casos mais sérios dos que acreditam sinceramente no Corpo Governante e nutrem sensações terríveis de que, caso pequem e sejam expulsos, deixarão de ser amados por Deus, ficarão sem rumo, sem direção, perdidos de si mesmos, afinal, a identidade das Testemunhas não é delas, é eminentemente vinda das orientações da associação Torre de Vigia.
Cristo nos chamou à LIBERDADE. “E Jesus prosseguiu assim a dizer aos judeus que acreditavam nele: ‘Se permanecerdes na minha palavra, sois realmente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará’”. (João 8:31-32). Se estamos em um sistema em que nos sentimos presos, jungidos, sem poder nos mover, está na hora de refletir melhor sobre o assunto.
Cristo nos chamou para AMAR O PRÓXIMO: “[...] eu vos digo: Continuai a amar os vossos inimigos e a orar pelos que vos perseguem; para que mostreis ser filhos de vosso Pai, que está nos céus, visto que ele faz o seu sol levantar-se sobre iníquos e sobre bons, e faz chover sobre justos e sobre injustos. Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem também a mesma coisa os cobradores de impostos? E, se cumprimentardes somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem também a mesma coisa as pessoas das nações? Concordemente, tendes de ser perfeitos, assim como o vosso Pai celestial é perfeito” (Mateus 5:44-48).
Notem o versículo 47 desta passagem... Se temos que cumprimentar nossos inimigos, imagine os que se desviaram da fé por conta de um pecado que não seja a renúncia ao nome de Jesus! Deus não iria enviar seu Único Filho à toa, muito menos conceder a Graça (benignidade imerecida) e a Salvação se Ele não estivesse interessado em nós do jeito que somos. Somos todos propensos a falhas, e, da mesma forma, indignos de perdão, mas Jeová quer que nos amemos! É tão simples! Lendo os Evangelhos, você não vê, nem em uma única vez, Jesus evitando alguém por esse ser pecador. Ao contrário, ele ia ao encontro deles! Cristo os amava, os queria ao seu lado, se importava com cada mínimo detalhe de suas vidas, suas lutas, suas angústias, seus medos e fracassos. Isso seria diferente hoje em dia? De maneira nenhuma! Hebreus 13:8 diz: “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre”.

Portanto, caro leitor, a nossa bandeira não é contra a religião das Testemunhas de Jeová. É contra abusos relacionados aos direitos humanos básicos e constitucionais. É contra as famílias que são despedaçadas por práticas religiosas desnecessárias e antibíblicas.
Apesar de sabermos que há erros flagrantes de interpretação bíblica e de modo de vida entre as Testemunhas, eu, pessoalmente, sei que não há como parar de forma séria e comedida sua organização. Porém, há um ditado que meu pai me dizia em vida: “O mal por si se destrói”. Creio sinceramente que um dia, de alguma forma, os males internos da organização da Torre de Vigia serão expostos de forma muito ampla, e, de dentro para fora, as coisas começarão a mudar. Há muito gente lá dentro que não deveria realmente estar, e precisam sair e se encontrar de fato com Cristo Jesus, como eu me encontrei um dia (2 Timóteo 2: 19; Atos 18:7-11).
Espero que você tenha lido com atenção este longo texto construído por mim, que faz parte do livro que tenho planos de concluir, falando sobre a desassociação. Qualquer dúvida, pode escrever diretamente para mim, ao meu e-mail.
Grandes abraços e Paz!

Cleber Tourinho
Professor, Linguista,
Mestrando em Letras e Linguística - Universidade Federal da Bahia - CNPq.
Revisor de textos e orientador em Metodologia da Pesquisa Científica.
ctsantana@gmail.com

(Nota: todos os textos são retirados da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, edição de 1986).

Posted on Saturday, June 26, 2010 by Maurilo e Vivian

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Sunday, January 10, 2010


Esse é um texto que meu irmão em Cristo o Professor Cleber Tourinho me enviou e me permitiu publicar em nosso blog. Leitura muito interessante.

Ontem, dia 02 de janeiro de 2010, pela primeira vez tive a oportunidade de levar minha querida esposa Renata ao Salão do Reino perto aqui de casa, para que ela conhecesse o ofício religioso de lá. Ela há muitos anos é evangélica, e teve pouco contato com a imensa quantidade de grupos religiosos que explodem por todos os lados nesse nosso Brasil varonil, e por isso decidimos que, sempre que possível, iremos visitar um templo diferente aos sábados, desde que isso não atrapalhe nossa programação oficial e familiar. Graças a Deus fui presenteado com uma esposa de mente bem aberta, que deseja aumentar seu conhecimento sobre o mundo que a cerca, e não uma dessas pessoas fanáticas cuja única visão de vida se circunscreve ao seu próprio umbigo.

Como fui Testemunha de Jeová por 16 anos, e desejoso de que ela visse de perto como funciona a minha antiga religião (que, não se pode negar, em muitos aspectos é bem mais organizada e direcionada que a maioria das igrejas evangélicas por aí), escolhi o Salão do Reino. Pois bem. Como sempre é feito, a congregação local nos recebeu bem, nos acomodamos em cadeiras bem duras (a pobre Renata ficou com as costas doendo depois...) e em menos de dois minutos iniciou-se a reunião. Cânticos no novo cancioneiro (muito bonita a capa! Parabéns ao desenhista). As músicas entoadas são as mesmas, só mudaram as letras, que a meu ver ficaram mais fáceis. Há uma teoria de que a mudança se deu por causa da quantidade de canções escritas por pessoas que agora estão desassociadas, mas deixemos esse assunto para outro dia.

Após a oração, começa o discurso público. O tema exposto pelo orador (muito bom, por sinal) discorria sobre manter-se desperto. Como sempre, enfatizou-se a necessidade de se injetar doses cavalares de “estudo pessoal” nas veias, ou seja, ler e reler as publicações da Torre. Creio que minha esposa tenha ficado admirada com a quantidade de textos bíblicos lidos, pois não se parava de consultar as Escrituras (como especialista em comunicação, eu sei que isso é estratégia para evitar que o ouvinte raciocine por conta própria, pois a profusão de citações de vários autores faz com que a mente fique atenta, não ao que se diz, mas a qual será a próxima citação).

No estudo de A Sentinela, recebemos emprestado um exemplar, e minha esposa achou interessante o método de perguntas e respostas. Como ela é da área de RH, e está acostumada a participar de seminários e debates, disse-me que achou muito bom que “o estudo seja aberto a opiniões”, que as pessoas possam comentar o que aprenderam. Bom, depois vou ter que explicar a ela que aquilo é tão-somente um condicionamento mental também, que ninguém dá sua opinião em nada, mas simplesmente ou lê o que está no parágrafo ou comenta “com suas palavras” na forma de ruminação do conteúdo. Isso mesmo. A pessoa lê, mastiga e depois rumina o mesmo material que leu, sem adicionar nada de si mesmo, sem correlacionar com pontos pessoais que aprendeu de uma leitura própria apenas da Bíblia. Lamentável. Esta poderia ser uma excelente oportunidade de discutir os rumos e necessidades da Organização, das congregações e de seus membros, mas se reduz a uma seção de sabatina teocrática, mecânica e ideologicamente direcionada.

Mas vamos ao motivo da escrita deste texto. Trata-se de uma observação ao estudo de A Sentinela da semana, na edição apenas para a congregação de 15 de novembro de 2009.

Bom, o tema estudado versava sobre as orações, o que elas revelam sobre cada um de nós. Achei muito bacana a abordagem, e realmente não saí dali vazio ontem à noite. O problema foi quando se chegou ao finalzinho da consideração, no tópico sobre “orações públicas”.

Um dos últimos parágrafos discorre sobre qual posição se deve assumir ao se ouvir uma oração pública. Claro que, por ser uma forma de adoração, orar é um momento solene e de devoção a Jeová. O orador deve saber usar suas palavras, sem o que a assistência não poderia dizer “amém” (que assim seja). Igualmente, os ouvintes precisam demonstrar a necessária e devida reverência, tanto por ouvir com atenção como por adotar uma postura física louvável. Ponto para eles, estão certos. Citam-se textos bíblicos em apoio ao argumento.

A celeuma se forma, contudo, no restante do material. Sem citar nenhuma base bíblica, mas apenas a “autoridade” imposta pela ATCJ (novo nome da Sociedade Torre de Vigia no Brasil – Associação das Testemunhas Cristãs de Jeová), diz-se que não seria apropriado realizar orações públicas por meio de um círculo de orações, em que as pessoas dessem as mãos. O argumento “bíblico” da revista? Isso poderia desviar a atenção de alguns, principalmente dos que ‘estivessem visitando a reunião e não estivessem acostumados com as nossas crenças’. Outro ponto abordado foi que um casal até pode dar as mãos durante uma oração pública, de maneira discreta, mas será que podem se abraçar, ainda que também de forma discreta, mesmo que apenas demonstrando uma singela união como marido e mulher? Que nada! Isso é proibido nos Salões do Reino a partir de hoje! A justificativa? Tal atitude ‘poderia desviar a atenção dos outros’, ou mesmo demonstrar que o casal estaria dando ‘mais atenção ao seu relacionamento romântico’ que à adoração a Deus.

Não sei se minha esposa notou, mas fiquei extremamente aborrecido com essa parte do ensino. Deu-me vontade de levantar a voz na hora e redarguir, mas por uma questão de ética e respeito (e por estar na “casa dos outros”) preferi me calar.

Indignei-me por várias razões: primeiro, o Corpo Governante não teve sequer a coragem de fundamentar de modo explícito suas opiniões próprias em nenhum versículo bíblico. Foram demasiadamente abrangentes, utilizando princípio da necessária reverência a Deus, que é demasiadamente amplo, como desculpa para impor mais uma proibição aos irmãos. Agora nem mesmo abraçar sua esposa durante a profissão de uma oração pública a pessoa pode, num gesto de amor e de achego, demonstrando que Jeová está presente naquela união, como a base primária do cordão tríplice que “não pode ser prontamente rompido em dois” (Eclesiastes 4:12). Ou seja, a ATCJ quer romper esse cordão, essa intimidade do casal diretamente com Jeová, durante o momento mais íntimo de comunicação com Deus, em nome de uma regra eminentemente humana.

Tal tipo de argumento é também falho, pois impede, por extensão, que você demonstre seu carinho e união a outros membros de sua família. Isso significa que, da mesma forma, agora você nem mesmo poderá abraçar e ser abraçado por seus próprios filhos durante uma oração no Salão do Reino ou numa Assembleia. Ah, e esqueçam as demonstrações de amizade sincera que de vez em quando se veem nas ilustrações das publicações e em alguns vídeos da ATCJ, principalmente em países latinos e africanos, regiões em que, culturalmente, as pessoas são naturalmente muito “pegajosas”. Dessa forma, estão ameaçados de serem desfeitos, ou pelo menos afrouxados, os laços familiares e de amizade seladas sob a união que pode ser fruída durante uma oração ao Pai Celestial, em conformidade com a prece de Jesus em João 17:11: “Santo Pai, vigia sobre eles por causa do teu próprio nome que me deste, para que sejam um, assim como nós somos”.

Outro ponto que me deixou muito frustrado com o argumento do Corpo Governante: o fato de eles substituírem, como sempre fazem, a responsabilidade de suas opiniões humanas próprias pela da “Transferência de Consciência Coletiva Tejotiana”, como eu costumo falar. Como assim? Lembremo-nos de que, ao se falharem as expectativas do Armagedom em 1975, mesmo as publicações da Sociedade por anos e anos antes disso darem como certo o fim do Sistema de Coisas naquele ano (a história comprova isso), o Corpo Governante asseverou, na A Sentinela de 15 de setembro de 1980, páginas 17 e 18, parágrafo 6, que a culpa era dos irmãos de maneira individual:

“Caso alguém tenha ficado desapontado, por não seguir este raciocínio, deve agora concentrar-se em reajustar seu ponto de vista, por não ter sido a palavra de Deus que falhou ou o enganou e lhe causou desapontamento, mas, sim, seu próprio entendimento baseado em premissas erradas” (grifo meu).

Ou seja, é costume do CG transferir sua opinião para os do “povo de Jeová”, como se a ideia fosse dos pobres irmãos, como se isso partisse das congregações, e não da Sede mundial nos EUA! Assim, diz-se que “alguns podem ficar constrangidos” ou “pode-se desviar a atenção de alguns” caso a pessoa dê as mãos ou abrace seu amigo, parente ou cônjuge durante a oração. Mas, na realidade, a ordem vem de cima para baixo, e não ao contrário. Todos sabem que não existe nada que se aproxime de uma democracia nas Testemunhas de Jeová, ou mesmo de uma consulta colegiada, ou de colheita de opiniões. A palavra do CG (Corpo Governante) é lei, mesmo que isso não esteja claramente demonstrado na Bíblia ou seja contrário à cultura local sadia, e ponto final. É o que eles querem que os seguidores pensem, que se trata de uma “Teocracia”, um governo de Deus, em contraponto com a Democracia, ou seja, um governo em que a opinião de todos os afetados é ouvida, em que as discussões são abertas e em que se tira a decisão conforme o consenso da maioria. Nas palavras de Winston Churchill, “a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”.

Além do mais, vamos ser francos: se durante as orações 99% da assistência está de olhos fechados, como o fato de eu ou meu irmão estar abraçado com sua esposa/esposo pode desviar a atenção? Só se aquele que se propõe a ter sua atenção desviada já esteja assim, quer dizer, prestando atenção nos outros, ou seja, de olhos abertos!!!! Me poupe, viu????!!!!

Enfim, mais uma vez, como em tantas outras, a Associação Torre de Vigia demonstra ser realmente uma religião que segue de perto a Bíblia. Ah, mas como assim? Segue perto mesmo é o seguinte texto: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o décimo da hortelã, e do endro, e do cominho, mas desconsiderastes os assuntos mais importantes da Lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Estas eram as coisas obrigatórias a fazer, sem, contudo, desconsiderar as outras. Guias cegos, que coais o mosquito, mas engolis o camelo!” (Mateus 23:23-24).

Enquanto para o CG abraçar seu cônjuge durante uma oração pública é errado, outras facetas da reverência a Deus quando fazemos nossas orações são relegadas a segundo plano, ou mesmo esquecidas. Deve-se lembrar que orar é um momento especial de adoração a Deus, e não apenas uma hora do dia em que “batemos um fio” para o Divino Criador. Por isso, como em qualquer ato de adoração, orar deve ser uma ocasião de reflexão tanto mental quanto corporal, pois o corpo precisa estar em harmonia com a nossa mente nessa hora.

Quanto às atitudes físicas adotadas por pessoas que se dirigem a Deus em oração, quer dizer, durante orações públicas, pois as orações pessoais são apenas entre a pessoa e Jeová, a Bíblia, por exemplo, deixa depreendido em Mateus 11:25 que Jesus estava de pé em frente a uma multidão quando orou; além disso, lemos sobre Jesus ter orado prostrando-se com o rosto em terra (em oração junto com Pedro e os dois filhos de Zebedeu, logo, uma oração pública - Mateus 26:39); ademais, segundo a Bíblia, ajoelhar-se é também costume cristão, inclusive publicamente (Atos 21:5-6; Efésios 3:14), e mesmo de olhos abertos não há nada de errado, pois o próprio Cristo fez isso, conforme se lê em João 17:1. Ademais, uma coisa que nunca vi Testemunha de Jeová nenhuma fazendo: orar com as com mãos levantadas (1 Timóteo 2:8). Mesmo que isso não seja uma regra formal, uma lei bíblica, é sugestivo e digno de atenção, pois até mesmo lemos que o ressuscitado Senhor Jesus Cristo levantou as suas mãos para abençoar seus discípulos em Betânia (Lucas 24:50). Não precisa dizer que isso foi feito por meio de uma oração, não é?

Adicionalmente, vejamos como Salomão orou publicamente por ocasião da dedicação do Templo:

“E Salomão começou a ficar de pé diante do altar de Jeová, na frente de toda a congregação de Israel, e então estendeu as palmas das suas mãos para os céus; e prosseguiu, dizendo: ‘Ó Jeová, Deus de Israel, não há Deus igual a ti nos céus em cima, nem na terra embaixo, guardando o pacto e a benevolência para com os teus servos que andam diante de ti de todo o seu coração [...]”.

Em Esdras 9:4, 5, lemos a maneira como foi feita uma oração pública pelo escritor desse livro:

“Ajuntaram-se também a mim todos os que tremiam por causa das palavras do Deus de Israel contra a infidelidade do povo exilado, enquanto eu estava sentado aturdido até a oferta de cereais da noitinha. E por ocasião da oferta de cereais da noitinha pus-me de pé da minha humilhação, estando rasgadas a minha veste e a minha túnica sem mangas, e passei a dobrar os joelhos e a estender as palmas das minhas mãos a Jeová, meu Deus”.

Outras referências a esse costume (repito: não é ordenança!!!) podem ser vistas especialmente nos Salmos. É interessante lermos o Salmo 28:2: “Ouve a voz dos meus rogos quando clamo a ti por ajuda, quando levanto as mãos para o compartimento mais recôndito do teu lugar santo”, e Salmo 63:4, ele diz: “[...] em teu nome levantarei as minhas mãos”. No Salmo 141:2, Davi diz: “Seja minha oração preparada como incenso diante de ti, a elevação das palmas das minhas mãos como a oferta de cereais da noitinha”.

Quanto a esses assuntos, a pedra de toque sempre será o que Paulo disse em 1 Coríntios 4:6 – “Agora, irmãos, estas coisas passei a aplicar a mim mesmo e a Apolo, para o vosso bem, para que, em nosso caso, aprendais a [regra]: ‘Não vades além das coisas que estão escritas’, a fim de que não fiqueis individualmente enfunados a favor de um contra o outro”. Não é sábio querer impor regras e costumes a momentos tão particulares de adoração da pessoa. Nada há na Bíblia que proíba a mim de permanecer abraçado a minha esposa, ou a meus filhos, ou a um amigo meu durante uma oração pública. Infelizmente, quem se sentir incomodado por essa atitude tão bonita é que deve estar errado, pois está de olhos abertos (o que não é errado) durante um momento que deveria ser de concentração, e, pior ainda, está prestando atenção na vida alheia, desobedecendo, agora sim, a ordens bíblicas claras (1 Timóteo 4:16 – “Presta constante atenção a ti mesmo e ao teu ensino”; 1 Pedro 4:15 – “No entanto, nenhum de vós sofra como [...] intrometido nos assuntos dos outros”).

Resumindo, tal atitude expressa pela letra de A Sentinela de 15 de novembro de 2009, primeiro artigo de estudo, mostra mais uma vez a grande sabedoria que Deus me deu ao me desligar da Associação Torre de Vigia. Ser cristão é ser livre, não para se fazer o que se quer, mas para experimentar a Graça de Deus (sua Benignidade Imerecida) de uma forma mais ampla, tomando para si mesmo a responsabilidade sobre seus atos e feitos, não mais dependendo de um órgão regulador humano maior, um suposto “Escravo Fiel e Discreto”, que determina cada ato seu, cada passo de sua vida na Terra. Não, ser de Cristo é adorar ao Pai com Espírito e Verdade, e não com Sentinela e Corpo Governante.

Enfim, um bom pesquisador das Escrituras poderá perceber que não é o modo como você ora que importa a Deus, mas se aquele seu momento de união com Ele realmente está sendo usado para buscar sua orientação, a união mística com o Divino e, principalmente, para louvá-lo pelo que Ele foi, é e sempre será pela eternidade.

Amém!

Prof. Cleber Tourinho de Santana
João Pessoa, 03 de janeiro de 2009
ctsantana@gmail.com

Posted on Sunday, January 10, 2010 by Maurilo e Vivian

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