
(Áudio MP3 aqui em breve)
Apesar de eu ter chegado ao mesmo reconhecimento em cada uma das diversas perspectivas independentes, hoje eu vou argumentar que a ciência levou-me a abraçar o cristianismo. Meus argumentos abordarão a principal visão científica alternativa, o naturalismo científico; o meu objetivo principal, então, não será afirmar o cristianismo vis-à-vis com o Islamismo, Hinduísmo, ou outras religiões do mundo. O leitor perspicaz pode aplicar alguns desses argumentos contra as outras visões do mundo, mas o espaço dita que eu aceite a tarefa principal de desbancar as idéias de que (nas palavras do falecido astrônomo Carl Sagan) "O cosmo é tudo que existe, ou existiu, ou existirá" e que a ciência moderna de alguma forma comprovou esta afirmação metafísica.
Minha conclusão como biólogo, historiador da ciência e filósofo da ciência, é que o teísmo cristão, que vê o universo e tudo nele como as criações de um Ser transcendente, inteligente e eterno, faz um trabalho muito melhor do que o naturalismo científico na explicação para a evidência que a ciência oferece.
A ciência moderna descobriu e elucidou muito sobre a física da criação do universo, seus blocos de construção, e as leis naturais que regem o seu comportamento. A ciência eliminou doenças, colocou homens na Lua, e tornou a vida mais confortável de inúmeras maneiras. Mas o sucesso da ciência em descrever a maneira como as coisas se comportam não justifica as reivindicações feitas por biólogos modernos sobre questões de como as coisas se originaram. E agora que as questões filosóficas relativas ao debate Deus/sem Deus podem ser abordadas pelas descobertas científicas, é o teísta cuja visão é invariavelmente mais bem suportada.
Durante séculos, os astrônomos têm progredido na compreensão dos processos de formação de estrelas, galáxias, planetas e eventos que ocorrem (em grande parte, se não totalmente) de acordo com as leis naturais. Mas só nos últimos cem anos eles vieram entender o que as Escrituras judaico-cristãs têm declarado por 3500 anos – que o próprio Universo é finito, que o espaço e o tempo e os processos e leis naturais que descrevemos, todos tiveram um início não muito tempo atrás. As descobertas de Einstein tão claramente apóiam o judaico-cristianismo (e minam premissas naturalista) que o século 20 foi caracterizado por tentativas de encontrar cosmologias alternativas ao 'Big Bang'. Essas tentativas serviram, no entanto, para solidificar a relatividade geral, como o princípio mais rigorosamente testado e verificado em toda a física. Embora leis naturais possam ser suficiente para explicar o comportamento da matéria, energia, espaço e tempo, a origem destas coisas e das leis naturais que os regem exigem para a sua explicação um Originador.
Cosmologia é apenas um exemplo. Todas as grandes questões da ciência – e filosofia – são da mesma forma melhores explicadas em termos teístas, não naturalista. Entre elas incluem-se o design do universo (por vida inteligente na Terra), a origem da vida na Terra, a explosão cambriana (como representante do registro fóssil em geral, na qual todos os seres vivos apareceram de repente, completamente formados e adaptados para uma vida na Terra e seu papel na ecologia dos seus dias), a origem da informação no código genético universal, e a origem da consciência humana.
Em todos estes casos muito importantes, o raciocínio abdutivo – argumentar a melhor explicação para a evidência disponível – leva a um entendimento teísta do universo e uma negação do naturalismo metafísico. Assim sendo, o projeto naturalista depende das falácias lógicas do reducionismo e do raciocínio circular. A única maneira de manter as conclusões teístas fora do debate é negar essa consideração a priori, antes da prova. Mas isso, claro, não é uma ciência objetiva, mas uma perspectiva teológica disfarçada de ciência.
Este é apenas um exemplo dos problemas lógicos do naturalismo científico moderno. É historicamente sabido que foram os cristãos dos séculos 16 e 17 que deram nascimento a ciência moderna. E isso não foi mera coincidência. Pelo contrário, é a cosmovisão cristã que exclusivamente forneceu – e fornece – os pressupostos filosóficos que fazem a ciência valer a pena. Embora cerca de umas duas dúzias de tais pressupostos terem sido identificados, vou citar apenas dois.
Os fundadores cristãos da ciência moderna esperavam encontrar ordem no universo porque entendiam que o universo é o produto de um Criador racional. Considerando que os cientistas naturalistas modernos dependem dessa ordem, o naturalismo não consegue dar razão, explicar porque é uma característica do universo. Da mesma forma, como eles acreditavam que a humanidade havia sido criada à imagem de Deus, os fundadores da ciência esperavam que os nossos sentidos e raciocínio seriam confiáveis para o fim de entender a ordem no universo. O filósofo Alvin Plantinga e outros têm argumentado persuasivamente que a evolução naturalista é auto-refutável nesse sentido – que se o cérebro humano é o produto de um processo aleatório, cujo objetivo era meramente a sobrevivência e o sucesso reprodutivo, então não há razão para confiar nas conclusões de um cérebro desse tipo.
O físico agnóstico Paul Davies resumiu o problema desta forma: "Assim, a ciência só pode avançar se o cientista adotar uma cosmovisão essencialmente teológica". Plantinga escreveu: "A ciência moderna foi concebida e nasceu e floresceu na matriz do teísmo cristão. Só doses liberais de auto-engano e pensamento dúbio, creio eu, vão permitir que ela floresça no contexto do naturalismo darwinista."
Grande parte da ciência lida com a elucidação das leis naturais que regem os processos em curso, as conclusões resultantes são teologicamente neutras e não controversas. Mas, alegando que as questões de origem são igualmente susceptíveis a explicações naturais, os cientistas traem-se como filosoficamente e historicamente ingênuos e incapazes de acompanhar ou compreender as implicações das últimas descobertas científicas importantes.
O cristianismo faz sentido dos fatos que mais necessitam de explicação – a origem e design do universo, a origem da vida na Terra, da informação no DNA, e da consciência humana, para citar alguns. Além disso, o cristianismo oferece as premissas lógicas que fazem a ciência valer a pena. A ciência naturalista não acomoda as últimas descobertas científicas, nem fundamentar logicamente as razões para sua própria existência. Com C. S. Lewis, "eu acredito no cristianismo como acredito que o sol nasceu, não apenas porque o vejo, mas porque por ele eu vejo todo o resto."